Preparando a Oficina GLAM Wikimedia para o Museu do Indio: reflexões e potenciais para os acervos em rede e a informação livre

Desde os tempos em que comecei a atuar nos movimentos e coletivos independentes por meio da Internet algo sempre foi claro e cristalino sobre os objetivos que tínhamos e nos uniam: a busca pela liberdade da informação e os ganhos sociais que daí derivam como forma de socializar valores e fortalecer o pacto social que nos une.

Sempre acreditei que uma infra-estrutura livre e potencialmente escalável poderia ampliar o acesso, melhorar as condições de se informar, de produzir conhecimento, de ativar redes sociais de mobilização e organização em torno de causas pontuais mas capazes de propor novos modos e paradigmas de organização social. Muitas experiências e quase duas décadas depois, muita coisa confirma essa visão e muita coisa se aprende de como é complexo, difícil e trabalhoso criar as condições para as experiências de abertura da informação possam alcançar o potencial que esperamos dela.

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LOD2: recomendações de ferramentas livres para criar um fluxo de trabalho para dados semânticos

O LOD2 foi um projeto desenvolvido no âmbito da União Européia e que teve por objetivo investigar processos de trabalho para abertura de dados semânticos ligados tanto no âmbito de iniciativas governamentais quanto empresariais.

Os resultados do projeto foram publicados em um livro muito interessante que relata as diversas iniciativas, os objetivos alcançados, aplicações e, sobretudo, explica em maiores detalhes as etapas pensados no âmbito para trabalhar com dados semânticos e as ferramentas, com maior enfoque em software livre, recomendadas para cada etapa.

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Compreendendo SPARQL e se aproximando do conhecimento armazenado na Wikidata pelas consultas semânticas

A linguagem SPARQL é uma linguagem de consulta de RDF, logo funciona como uma forma de criar condições lógicas de busca a partir da lógica de descrever a informação pelas triplas Sujeito -> Predicado -> Objeto. Sem dúvida, é uma forma nova de pensar a construção de filtros de busca e expressões quando em comparação com o tradicional SQL.

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Construindo uma estratégia para publicação de acervos em rede na infraestrutura informacional da Wikimedia

Um dos pontos mais importantes dos projetos abertura e publicação de acervos digitais em rede é evidenciar novas formas de reuso da informação, permitindo com os objetos sejam remixados de diferentes maneiras, recontextualizados e sirvam como subsídio para a produção de novos conhecimentos. Cultura gerando cultura.

Tenho pesquisado várias formas de fazer isso e procurando identificar estratégias que sirvam para potencializar e ampliar o impacto dos acervos publicados em rede. O que mais tem me chamado atenção é o uso da infraestrutura informacional da Wikimedia Foundation, com seus vários projetos interligados, tais como Wikidata, Wikipedia, Wikimedia Commons, entre outros. As possibilidades de reuso da informação entre os projetos e a forma como isso pode ser socialmente compartilhado realmente chama a atenção para uma forma de construção da Internet que de fato potencializa a formação de coletivos inteligentes e valoriza os esforços institucionais de museus, bibliotecas e arquivos na constituição de seus acervos que agora podem ser mais facilmente apropriados em diferentes contextos.

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Explorando GraphDB e OpenRefine para transformar dados tabulares em dados ligados em RDF

O GraphDB é um banco de dados semântico (muitas vezes, chamados de bancos de dados do tipo NOSQL) que possui uma versão gratuita e uma boa documentação para que se possa começar a experimentar formas de tratamento e análise de dados, sobretudo aplicando a linguagem SPARQL.

O GraphDB possui algumas características muito interessantes, que pretendo ir destacando em várias postagens por aqui. Mas, uma delas que vale a pena olhar atentamente desde os primeiros passos, é que ele possui um módulo chamado OntoRefine, que é praticamente a incorporação do software livre OpenRefine dentro do GraphDB. Isso torna a ferramenta um potente analisador de dados e, sobretudo, fornece funcionalidades fundamentais para transformação de dados relacionais em dados semânticos.

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Desbravando o mundo das coleções das instituições de memória na Wikimedia Commons

A Wikimedia Commons é uma plataforma extremamente potente e mundialmente utilizada para compartilhamento de conteúdo. Pela própria descrição da página principal o projeto se define como uma “mediateca com 47.605.225 arquivos livres em que qualquer um pode contribuir”.

Dado meu grande interesse pessoal por conta das pesquisas que tenho feito no universo dos acervos em rede e, mais especificamente, de como se dá no Brasil, venho procurando a algumas semanas compreender como a plataforma funciona e como posso encontrar o conteúdo específico das instituições de memória brasileiras (arquivos, bibliotecas e museus). Os primeiros passos foram bastante confusos e me perdi várias vezes tentando navegar no sistema de categorias da plataforma. Há uma quantidade enorme de categorias e elas são criadas pelos usuários nos processos de discussão promovidos pela governança wiki, sendo que existem várias recomendações apontadas acima de esse trabalho de categorização deve acontecer. Ou seja, não se pode dizer que é um exemplo simples de folksonomia, dado que há mediação e conversação em torno dos resultados categorizados pelos usuários, mas também não se pode dizer que é um sistema controlado e que possui uma modelagem de domínio explícita. É algo muito potente, mas para um usuário chegando pelas primeiras vezes é um tanto caótico compreender como se movimentar por ali sem ter um interesse de conteúdo de um específico, mas querendo compreender como os acervos de cultura se organizam por ali.

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